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08 abril, 2016

A sétima arte, em palavras



Agora, a coluna do nosso queridíssimo Gustavo Rezende:

A sétima arte, em palavras - Gustavo Rezende


Dois motivos me levaram ao cinema para conferir Mundo Cão: a direção do sempre competente Marcos Jorge, e o fato do filme não ser uma dessas comédias brasileiras "padrão-globo". Apesar de muitos problemas envolvendo o roteiro, o ritmo e a edição, o longa consegue prender a atenção do espectador e envolvê-lo em uma "montanha-russa de emoções". Composto por um primeiro e segundo atos muito bem desenvolvidos, Mundo Cão não tem pressa em nos apresentar os personagens principais e o conflito central de seu roteiro. Apesar de ter apenas 1h40, o longa sabe trabalhar os caminhos que levam os personagens a terem suas vidas cruzadas. O sacrifício de um cachorro perdido, e o encontro entre o dono e o profissional que o recolheu das ruas, desencadeará uma sucessão de eventos trágicos e definitivos na vida de cada um dos envolvidos. Depois de encantar o público e a crítica com o espetacular Estômago, Marcos Jorge novamente utiliza um elemento de ligação entre os diversos contextos de sua narrativa. Se no filme estrelado por João Miguel a comida era o elo, agora os cachorros promovem a interligação dos diferentes núcleos que o diretor idealizou para seu longa. Um trabalho interessante, que lembra a trilogia da incomunicabilidade de Iñárritu, composta por Amores Brutos, 21 Gramas e Babel. Se por um lado o diretor acerta nos primeiros atos, ele se perde completamente no terceiro. Promovendo escolhas equivocadas, salientando conveniências e adotando a inverossimilhança de algumas ações, Marcos "pesa a mão" e desanda algo que vinha funcionando muito bem. Ao final da projeção, me senti como se tivesse ido a um show, e o artista tivesse deixado de cantar sua principal canção. Um sentimento de frustração, movido pela sensação que a apresentação poderia ser melhor. Além disso, o filme utiliza uma edição claramente inspirada em Whiplash. Com efeitos de transposição de cenas, cadenciadas por acordes de bateria, Mundo Cão não consegue o resultado brilhante do filme de 2014. Aqui, a técnica soa deslocada e descontextualizada. 
Com atuações impecáveis de Babu Santana, Lázaro Ramos e Adriana Esteves, Mundo Cão é um filme forte e envolvente. Pena que faltou fôlego.


Gustavo Rezende (instagram @gustavosrezende) é publicitário, especialista em desenvolvimento de produtos cosméticos e amante da sétima arte. Criador do instagram @cinediario, contribui semanalmente com críticas, indicações e curiosidades sobre os melhores filmes.












13 novembro, 2015

A sétima arte, em palavras

 O AMAR É PUNK já está pronto e à venda pelo email: loja.fernandamello@gmail.com. Para ficar ligado nos lançamentos, só seguir o meu IG: @fernandacmello ou snap fecmello. Dia 26/11, tem o evento oficial, em BH, na Autêntica, Savassi. #savethedate Beijos e um ótimo final de semana!



A sétima arte, em palavras - Gustavo Rezende

Scott Cooper acertou mais uma vez! Depois do excelente Coração Louco e do eficiente Tudo por Justiça, o diretor nos apresenta Aliança do Crime, um longa muito bem estruturado, conduzido de forma magnética e com atuações soberbas, especialmente de Johnny Depp.
Depois de inúmeras escolhas equivocadas, o ator está de volta na melhor atuação de sua carreira! De forma absorvente e mediúnica, o astro constrói um personagem violento, sádico, de uma frieza inquietante e absolutamente asqueroso. Amparado por uma maquiagem que o deixou careca, com a pele repleta de cicatrizes de acne, e os dentes escurecidos, Depp deixa aflorar toda a psicopatia de James "Whitey" Bulger, um mafioso que monopolizou as ações criminosas em Boston nos anos 70 e 80. Com um olhar de gelar a espinha, o personagem mostra toda sua crueldade e capacidade ameaçadora através de cenas como a que mostra como ele educa o filho; ou como questiona a ausência da esposa do amigo na mesa de jantar; ou mesmo a forma como reage quando um parceiro revela o segredo de uma receita familiar. 
Repleto de referências a filmes de Scorsese como Os Bons Companheiros e Os Infiltrados, e com uma atmosfera envolvente como a de Os Suspeitos de Bryan Singer, Aliança do Crime consegue seduzir o espectador em um trama que envolve amizade, poder, traição, ambição e violência gráfica explícita. 
O elenco estelar ainda conta com o ótimo Joel Edgerton, que desenvolve um personagem arrogante, ambicioso e irritante. Sua transformação psicológica e a adoção de atitudes amorais pelo poder, transformam o ator em um grande contraponto para Depp. Apesar de também estar presente, Benedict Cumberbatch está completamente desvalorizado na pele de um senador, irmão de James. Outros grandes nomes como Kevin Bacon e Juno Temple completam o casting. A bola fora está na pequena participação da "Anastasia" Dakota Johnson. Rindo não sei do que, a atriz não confere peso dramático ao personagem, mesmo em uma cena dramática envolvendo seu filho.
Muito bem fotografado, com uma edição limpa e eficiente, o longa marca a retomada de Depp às grandes atuações, tornando-o um dos favoritos ao Oscar de ator. Simplesmente espetacular!





Gustavo Rezende (instagram @gustavosrezende) é publicitário, especialista em desenvolvimento de produtos cosméticos e amante da sétima arte. Criador do instagram @cinediario, contribui semanalmente com críticas, indicações e curiosidades sobre os melhores filmes.

06 novembro, 2015

Amar é punk (e Spielberg também!)

E, finalmente, chegou! O tão esperado AMAR É PUNK já está pronto e à venda pelo email: loja.fernandamello@gmail.com. Para ficar ligado nos lançamentos, só seguir o meu IG: @fernandacmello. Beijos e uma ótimo final de semana!


A sétima arte, em palavras - Gustavo Rezende


Steven Spielberg está de volta, e em grande estilo! Em Ponte dos Espiões, o genial cineasta utiliza mais uma guerra para contar a história de um homem que se destacou em uma sociedade acuda e paranóica com a possibilidade de um ataque nuclear. Esse era o contexto da Guerra Fria, período onde os Estados Unidos e a União Soviética travaram uma "batalha silenciosa", repleta de espionagens, prisões políticas e marcada pela perda do íntimo e do pessoal. É nesse cenário caótico que Spielberg nos apresenta a envolvente história de James Donovan, um advogado de seguros que aceita defender um suposto espião soviético, capturado pelos americanos.
Cada dia mais envolvido com o caso, Donovan acaba se vendo eleito como negociador oficial do governo americano em solo estrangeiro. Nesse contexto, o cineasta escancara uma edificante mensagem de amor ao próximo, tolerância entre os povos e, principalmente, persistência na busca por aquilo que se almeja. Com um roteiro repleto de sarcasmo - o texto final foi revisado pelos irmãos Cohen - o longa apresenta uma narrativa linear e convencional, mas repleta de momentos antológicos e emocionantes. Um dos grandes destaques do filme fica por conta do elenco. Encabeçado pelo sempre ótimo Tom Hanks, a produção conta ainda com a avassaladora atuação de Mark Rylance. Na pele do espião soviético, o ator constrói um personagem contido, inabalável e repleto de subcamadas emotivas, tornando-se um sério candidato a uma indicação ao Oscar de coadjuvante. 
Claramente dividido em duas etapas distintas (mas dependentes), Ponte dos Espiões se apresenta como um eficiente drama de tribunal em sua primeira metade, e como um ótimo drama de situação em sua metade final, apesar de apelar para o sentimentalismo em algumas passagens. Um alerta fica por conta de seu ritmo. Basicamente formado por diálogos e pouquíssima ação, o filme pode entediar aqueles que estão acostumados a narrativas mais movimentadas. 
Brilhantemente dirigido, com uma cinematografia impecável e uma mensagem extremamente atual, Ponte dos Espiões é um filme espetacular. Não deixe de ver!




Gustavo Rezende (instagram @gustavosrezende) é publicitário, especialista em desenvolvimento de produtos cosméticos e amante da sétima arte. Criador do instagram @cinediario, contribui semanalmente com críticas, indicações e curiosidades sobre os melhores filmes.

14 agosto, 2015

Raiva: fazendo as pazes com seu lado Grrrr!

Sempre fui uma pessoa de dar na cara, independente do que isso signifique.
Mostro na cara quanto gosto. Quando não gosto. E - se me irritarem muito! - eu ainda dou na cara. Mas aí é com as palavras. Minha raiva é verbal, meu chute sempre vem em forma de frase. Ou texto. Se tenho medo de mim? Nenhum. E não me poupo nessas horas. Aprendi que sentir raiva é normal, reprimir emoções pode deixar a gente doente. E de mal com a vida.
O xis da questão é saber o que fazer com esse sentimento, tido - desde sempre - como feio. Peraí, raiva não é feio! Minha raiva, por exemplo, é uma puta de uma amiga. Que tem classe. Usa batom vermelho. E vive de salto alto.


Aprendi, a duras penas, que uma raiva bem canalizada pode ser uma mola impulsora na vida da gente. Quer coisa melhor? Reciclar o coração para dar um salto qualitativo na vida?
Então, faça as pazes com a sua raiva! Chame-a para perto, quando ela aparecer. Converse com ela, compreenda seus motivos. E veja como é gostoso quando seu maior inimigo vira um grande - e bravo! - aliado.

 Agora, para começar o final de semana com arte (e alegria!), a coluna do nosso querido Gustavo do @cinediario!

A sétima arte, em palavras - Gustavo Rezende


Tom Cruise está para Missão Impossível, assim como Johnny Depp está para personagens pitorescos.
 Ator, produtor, elemento ativo na escolha do elenco e da equipe, o astro é a verdadeira alma dessa franquia que está cada dia melhor. Nação Secreta - o novo capítulo - é um dos melhores da saga e um dos melhores filmes de ação dos últimos tempos. Equilibrando de forma eficaz todos os elementos necessários para o sucesso de um filme desse gênero, o longa empolga, envolve e deixa uma deliciosa sensação de quero mais. O grande mérito dessa quinta produção é ter um roteiro muito bem escrito, personagens bem desenvolvidos e "apelar" para o humor inteligente como válvula de escape. Além disso, o longa ainda apresenta a personagem feminina mais sedutora, dúbia e relevante de toda a franquia. Ilsa, interpretada pela bela atriz Rebecca Ferguson, me pareceu uma clara homenagem à personagem de Ingrid Bergman em Casablanca. Além de carregarem o mesmo nome e terem a famosa cidade marroquina como pano de fundo, ambas personagens possuem personalidades semelhantes e um ar misterioso de suas reais motivações. As cenas de ação são muito bem dirigidas, e ganham volume e intensidade com a capacidade de Cruise fazê-las parecer real. Observe o belíssimo lance envolvendo uma ópera, palco de um atentado a um grande figurão do governo. Intercalando números musicais impecáveis e uma ação frenética nos bastidores, o diretor Christopher McQuarrie consegue transparecer sofisticação, sensualidade e urgência na medida certa. Fantástico! Outras grandes cenas estão presentes em Nação Secreta, com destaque para as situações envolvendo um avião em movimento, o mergulho em um tanque giratório e uma frenética perseguição de motos.
Missão Impossível 5 mostra uma grande descoberta de Ethan Hunt (Tom Cruise): o famoso Sindicato é real, e está tentando destruir o IMF. Para combater uma nação secreta, tão treinada e equipada quanto eles mesmos, o agente especial tem que contar com toda a ajuda disponível, incluindo de pessoas não muito confiáveis.
Muito bem conduzido, com ação bem pontuada e ótimos personagens, Missão Impossível: Nação Secreta é um "filmaço" que vale o ingresso.


Gustavo Rezende (instagram @gustavosrezende) é publicitário, especialista em desenvolvimento de produtos cosméticos e amante da sétima arte. Criador do instagram @cinediario, contribui semanalmente com críticas, indicações e curiosidades sobre os melhores filmes.