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09 dezembro, 2015

Passe Livre


Coluna Pedro Raposo Lopes


SOB ESCOMBROS

Nas praias, nos rios, no Senado... 
Sujeira para todo lado.
 Ninguém respeita a Constituição. 
 Quando vendermos todas as almas 
dos nossos índicos num leilão. 
Terceiro mundo, se for. Piada no Exterior. 
 Que país é este 
(Capa do Jornal “Estado de São Paulo”, dia 26/11/2015)


O ano: 2723 D.C.. O local: Algum lugar entre o ressequido leito do que outrora fora o Rio Oiapoque e o deserto do Chuí, ao norte do Uruguai. Ali, quase um século passado da hecatombe que dizimou centenas de milhões de pessoas famintas, resultado fatal do “efeito estufa”, um grupo de arqueólogos brasileiros debruça-se sobre uma descoberta interessantíssima: um pequeno cofre contendo arquivos magnéticos provavelmente datados do século XXI, que se encontrava sob escombros de uma antiga construção.

O material foi levado pelos cientistas com muito cuidado para os laboratórios da Universidade de São Paulo onde, após laboriosos exames de radiocarbono, chegou-se à conclusão de que datava, todo ele, do ano de 2015.

O material era composto basicamente por jornais digitalizados (método arcaico de armazenamento de grandes quantidades de informações), escritos e músicas daquela época.

Dentre as manchetes dos jornais de então liam-se as seguintes: “Eduardo Cunha dá largada ao impeachment de Dilma”, “Lama do Rio Doce chega ao Espírito Santo e ameaça Abrolhos”, “Governo prevê déficit de R$ 31 bilhões e aumento de tributos”, “Feliciano será candidato a prefeito de São Paulo”, “Dilma proporá a recriação da CPMF”, “PIB recua e recessão se alonga”, “Crise eleva endividamento dos municípios”, “Petrolão pode ter causado rombo de 80 bilhões”, “Investimento despenca e sinaliza mais longa retração desde o real”, “Inflação corrói salários em 15% dos reajustes”.

Todo material é encaminhado ao Departamento de História da Universidade de Federal do Amazonas, no sertão semi-árido brasileiro (em tempos idos, o que já fora a maior floresta equatorial do planeta). Os historiadores tinham muitas dúvidas a respeito de período histórico a que se referiam as notícias jornalísticas.

É que, muito embora o material tivesse idade certa, o colecionador, de forma proposital e misteriosa, havia eliminado as datas dos periódicos e escrito, em letras garrafais, o aforisma de Sócrates: “nosce te ipsum” (“conhece-te a ti mesmo”).

Todavia, como praticamente todas as notícias mencionavam, de forma direta ou indireta, a Polícia Federal, tudo foi reencaminhado imediatamento à sede do Departamento na capital brasileira, situada no pantanal alagadiço brasiliense (antes, aquela que fora uma região pouco aquinhoada pelas chuvas), onde peritos forenses e historiadores da Universidade de Brasília iniciaram seus estudos.

As dúvidas persistiam porque, em maior ou menor grau, todos os casos policialescos se assemelhavam a outros historicamente situados em épocas muito próximas uma das outras.

O escândalo do Petrolão (2015) foi associado ao do Mensalão (2005) e este, por sua vez, à Operação Satiagraha (2004). A menção ao nome do Deputado Federal Eduardo Cunha conduziu o rumo das investigações para a figura do então Presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, cujo escândalo particular datava, entretanto, de 2007 e envolvia a suposta ajuda de empreiteiros baianos no pagamento de pensão alimentícia a uma sua filha.

As investigações passaram a focar, portanto, no Congresso Nacional, porque não convém tornar a coisa pessoal.

Nos arquivos policiais, a relação mais aproximada que se conseguiu estabelecer com a Casa de Leis foi com o episódio dos “Anões do Orçamento”, de 1993 e com a pitoresca figura de um deputado baiano que havia tido a fortuna de ser premiado em 200 sorteios de loteria.

É nesse ponto que o caso se aproximou perigosamente do escândalo Coroa Brastel, de 1983. Estabelecido o intervalo de mais de trinta anos entre os arquivos encontrados e os casos catalogados, chegaram os pesquisadores à conclusão de que o melhor mesmo era dar tudo por visto e encerrado e mandar arquivar o material digitalizado nos escaninhos da Biblioteca Nacional, na Cidade do Rio de Janeiro.

Toda a estória que acima narrei passeia por diversos eventos históricos que sacudiram o Brasil ao longo de mais de trinta anos. E muitos outros há, datados da velha república, do regime ditatorial, e mesmo na época do Brasil ainda colônia se Portugal, com a espoliação do patrimônio autóctone promovida pela pátria-mãe e destinada às burras inglesas, espanholas, holandesas e francesas.

Acredito que o ponto central da estória talvez não tenha sido apreendido pela maioria dos leitores e que reside no pormenor de haver o colecionador de histórias eliminado as datas das notícias e escrito em letras garrafais a máxima socrática “nosce te ipsum” (“conhece-te a ti mesmo”), supostamente inscrita na entrada do Oráculo de Delfos.

Para Sócrates, conhecer-se é o ponto de partida para uma vida de equilíbrio. Se isso vale para pessoas, vale por certo também para instituições e nações.

O Brasil passa por momentos bastante difíceis e as perspectivas não são nada otimistas. Se tudo der certo, o ano de 2016 será tão ou pior para os brasileiros que o de 2015. Desemprego, queda do poder de compra, o recrudescimento do monstro da inflação, a indústria nacional reduzida a pó, o alargamento do abismo entre os muito pobres e os muito ricos. Desigualdade, miséria, violência, déficit civilizatório.

A mais triste notícia, todavia, é que todas as agruras pelas quais o povo brasileiro será obrigado a amargar poderiam ter sido evitadas. São todas elas tragédias anunciadas. Têm a ver, sim, com os sucessivos escândalos narrados sinteticamente na ficção de abertura deste trabalho, mas também com os remédios que vêm sendo ministrados para tentar trazer algum lenitivo à doença.

O Brasil, ao longo de seus pouquíssimos séculos de vida, teima em não aprender com as lições que a história lhe proporcionou e continua a lhe proporcionar a curtos intervalos. Corrupção, fisiologismo político, pilhagem do patrimônio público, promiscuidade entre o empresariado e o Poder Público, confusão entre o que é privado e o que é público, soluções de curto prazo para questões atávicas (que só fazem atrasar o crescimento), personalização do poder (talvez a grande herança maldita de nosso berço ibérico) são apenas alguns erros recorrentes de nossos próceres.

E a raiz de praticamente tudo está na precária educação que é subministrada aos governados e que se manifesta em todos os estamentos. Em recentes manifestações sociais, foram vistas pautas absurdas como a intervenção militar. Será que não aprendemos a nos conhecer a nós mesmos?

E a quem aproveita a eterna, cafona e démodé “summa divisio” política de “esquerda” e “direita”, posições que não fazem a menor diferença quando a vaca está indo para o brejo? A necessidade carece de dissensões. Quando o barco afundar, qual importância terá o lado que você ocupará no naufrágio? Solidariedade, diálogo, união é o que precisamos quando a coisa não está indo bem.

Falta-nos educação. Educação formal e educação como valor, como princípio, o único princípio capaz de trazer igualdade substancial (não igualdade de riquezas, mas de oportunidades). Sem educação não há memória. Sem memória, não há como cumprir o ideário socrático de nos conhecermos a nós mesmos para, somente então, não repetirmos os erros do passado.

Voltando à estória que narrava no início deste já longo discurso, no material arrecadado sob os escombros havia também, junto à coleção de manchetes atemorizadoras e ao adágio socrático, o seguinte trecho de um notável brasileiro chamado Ruy Barbosa, talvez o melhor coco que a Bahia já nos legou:

“A pátria não é ninguém; são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação. A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade.”


E havia também uma canção de um artista precocemente morto, cujo nome era Agenor de Miranda Araújo Neto, mais conhecido por Cazuza. A música chamava-se “Brasil” e no último verso trazia a seguinte mensagem: “Grande pátria desimportante, em nenhum instante eu vou te trair.”

Nós, brasileiros, jamais trairemos a nossa grande pátria.

Salve a semana da pátria!

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11 novembro, 2015

Passe Livre


Coluna Pedro Raposo Lopes



A TEMPO E MODO

É mais sensual uma mulher vestida do que uma mulher despida. 
A sensualidade é o intervalo entre a luva e o começo da manga. 
(Antônio Lobo Antunes)

A brisa que vinha do mar tão próximo acariciava a pele vincada de mais de oito décadas de existência. A brisa era morna e o velho sentia-se morno por dentro e por fora, naquela varanda quase debruçada sobre o mar.

No chão, uma garrafa de um vinho tinto que se demorara muito a escolher no pequeno armazém, como se escolhesse um livro ou um quadro. Entre os dedos, um charuto com que foi presenteado por um querido amigo, um dos poucos (charutos e amigos) que sobraram depois de tanto tempo.

Já um pouco inebriado, observava o velho a jovem morena que, nervosa, certamente esperava por seu amado na calçada em frente. Gestos, ademanes e impaciência o denunciavam. A brisa fazia com que a saia batesse e esfregasse suas pernas muito bem esculpidas, pernas morenas sobre sapatos de salto muito altos, cuidadosamente escolhidos para a ocasião, ou assim o velho supunha.

E o tempo foi passando e o vinho foi sendo bebido e o charuto foi sendo consumido. A morena, do outro lado da rua, irradiava ansiedade. Os passantes observavam a bela mulher com olhos cobiçosos. Homens e mulheres, cada qual com a sua motivação. Ela, nervosa, dava pequenos passos para os lados, arrastando o salto sobre o passeio.

À medida em que o vinho produzia seus efeitos benfazejos, os movimentos daquela jovem mulher pareciam-lhe cada vez mais lânguidos, num descompasso entre a percepção e a realidade, pois que evidentemente a morena estava (ou deveria estar) cada vez mais ansiosa pela demora do negligente amante.

Bem poderia ser proposital a tardança. Aquele que provoca a espera sabe exatamente a eficácia daquilo que se produz no metabolismo de quem aguarda. Os batimentos cardíacos aumentam em sístoles e diástoles descompensadas e descompassadas, o corpo emite sinais que podem ser captados à distância e, por mais sentimento de raiva que se saiba produzir, também se sabe que tudo se desvanecerá e se esfumará num milésimo de segundo com a chegada, ocasião em que a raiva que se sente do algoz se sublimará em gozo.

O véu da noite começava a encobrir o sol quando aquele que se fazia esperar chega afetando pressa (uma pressa fingida, percebeu o velho da sacada quase debruçada sobre o mar). Vinha vestido como um dândi. Sapatos lustrosos, chapéu panamá, um terno de linho muito branco que se compunha perfeitamente com a atmosfera local.

Ela, súbito, como da sacada quase debruçada sobre o mar o velho supunha que aconteceria (afinal, não se passam oitenta anos impunes), deixa-se abraçar e abraça sofregamente. Palavras são ditas na língua estrangeira que o velho pouco conhece e que, dali, daquela sacada quase debruçada sobre o mar, também não conseguiria ouvir, haja vista a distância que os separava. A mão do jovem posta na nuca da morena, sob os cabelos cuidadosamente penteados, possibilitava inferir com razoável dose de certeza tudo o que se dizia.

De braços dados, caminha o casal rumo ao mesmo hotel do velho. Ele, o jovem, com uma elegância muito artificial, mas convenientemente convincente. Ela, a morena, equilibrando-se naqueles saltos muito altos, um andar pouco elegante, mas que, tudo sopesado, em nada embotava a beleza do quadro.

Recolheu-se o velho para o interior do pequeno aposento que ocupava. Como o vinho tivesse acabado, serviu-se de uma dose de scotch da pequenina garrafa posta na bandeja sobre a também pequenina geladeira. Deitou-se. Recostou-se num par de travesseiros. Ouviu o inconfundível barulho dos saltos altos da morena percutirem no piso acimentado do corredor. Ouviu a porta do quarto ao lado fechar e a sacada quase debruçada sobre o mar abrir.

Levantou-se tão rápido quanto pôde da cama e, qual um adolescente, pôs-se a auscultar a parede, não tanto pela curiosidade, mas à feição de um torcedor do regozijo alheio.

Os rumores que vinham do quarto ao lado não davam margem a dúvidas. O jovem dândi despiu-se com pressa, arremessou o corpo da amada sobre a cama e, sem o necessário zelo que a ocasião predicava, desatou aquilo que lhe embaraçava a satisfação. Movimentos velozes e descuidados, muito provavelmente como aprendera nos modernos filmes. Gemidos de prazer seguiram-se ao ranger da cama e tudo estava consumado em questão de minutos.

O velho, um pouco desconsolado, servindo-se do restante da garrava de scotch, deitou-se no mesmo instante em que pôde ouvir a televisão do aposento ao lado iniciar sua litania em língua desconhecida.

Sentiu vontade de bater na porta do vizinho e dizer ao jovem que a vida só merece ser vivida se sorvida com vagar. A vida, como o corpo de uma bela mulher, deve ser desnudada com muito zelo. A contemplação é tão ou mais importante quanto a ação. Tudo a seu tempo e modo. Os dias merecem ser passados com delicadeza, como quem desata os botões da blusa da amada. A vida deve ser vivida momento a momento, como as presilhas de um corpete que devem ser desabotoadas uma a uma, sem pressa, cada qual deixando entrever aquilo que ainda está por vir. Por mais robusto que possa parecer (e o daquela morena certamente o era), o corpo de uma mulher é coisa sempre muito frágil e pode alquebrar-se se não for explorado como quem explora uma ruína de argila muito antiga, assim como a vida pode ser toda ela derruída num átimo, porque coisa também muito frágil. A vida, assim como o amor, não é uma permanente urgência. Oitenta anos não se passam impunes.



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01 julho, 2015

Passe Livre

Coluna Igor Pereira




 “UM CONVITE AO SILÊNCIO NECESSÁRIO PARA SE OUVIR AS NECESSIDADES DA ALMA”

Marisa Monte proclamou com sabedoria e sutileza essa máxima. Mais que bonito, é verdadeiro. Numa de suas canções, ela canta lindamente: “faça sua dor dançar, atenção para escutar esse movimento que traz paz cada folha que cair, cada nuvem que passar”. Vez ou outra é bom ficar sozinho. Conversar consigo mesmo, encontrar-se. Vivemos num mundo de barulhos. Silenciar é o que menos nos pedem hoje em dia. A todo instante estamos conectados com nossos smartphones, notebooks, plugados nas redes sociais que nos alimentam a todo instante com informações, informações e mais informações. Quem aguenta? Tem hora que cansa e precisamos de um: STOP! Faço-vos um convite: silenciar. Isso mesmo! Escutar o que o teu Eu, lá no fundo, quer te dizer. É diante dessas perturbações diárias, que precisamos permitir-nos silenciar, esvaziar a mente. Tentar tirar da cabeça todo pensamento negativo, tudo aquilo que não nos faz bem. Deixar fluir. Fitar os olhos para algum lugar que nos embevece. Percebe algum pensamento, alguma ideia, algum sentimento? Tranquilize a nervosidade. Acalente sua respiração ofegante. Quando silenciamos, é possível ter a impressão que todo o silêncio interior mira em cada um de nós um outro que não é você, mas que une-se a sua verdadeira identidade. Sentimos até certo receio, desse olhar voltado para nós mesmos: um olhar decifrador, desafiador. Olhar de inquietação de si, como se mergulhássemos imponderavelmente, descobrindo os enigmas interiores. São raros esses momentos de inefabilidade, onde podemos nos encontrar, deixando que a voz silenciosa do Mistério ressoe, num convite à nossa constante construção.


- Igor Pereira
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16 abril, 2015

Tempo...

Admitir nossas fraquezas, pedir desculpas, agradecer pela vida, ganhar um abraço: às vezes, tudo o que a gente precisa cabe no tempo de uma música.

Ou de um sorriso.

foto Alessandra Duarte
Para trazer mais poesia para essa quinta-feira, nosso querido cronista do blog @gabrieldosanjos_ interpreta lindamente um texto meu! Obrigada pela homenagem, Gabris!



 Para conhecer mais sobre o trabalho do Gabriel dos Anjos, acesse: gabrieldosanjos_ no Instagram,  e a fanpage Sem sentido na emoção. Até amanhã, pessoal!

15 abril, 2015

Passe Livre

Coluna Fernando Suhet



Pra você que vive de status, ela não quer saber do seu carro, das suas roupas e suas baladas. Ela só quer sua companhia, abraços e beijos roubados. Ela não quer saber da sua soberba, ela só quer um olhar diferente ao colocar um vestido preto. Ela não quer saber se você viaja aos quatro cantos do mundo, ela só quer saber da sua capacidade de tirá-la do seu mundo e lhe apresentar o seu. Ela não quer saber das suas festas e porres, ela só quer te eternizar dentro de um beijo e se sentir protegida dentro do seu abraço. Em um mundo onde você é visto pelo o que tem, e onde algumas pessoas ainda gostam de quem não as valorizam, ela só quer alguém que a leve pra jantar e que mais uma vez não deixe de acreditar no amor.

- Fernando Suhet

Sigam o Nando no Instagram: @nandosuhet e @mundoescrito! He rocks!




18 março, 2015

Passe Livre


Coluna Fernando Suhet




Eu adoro a parte em que o mundo dá voltas. Aquela mesma parte que você quer voltar no tempo e fazer diferente. A parte que você chorou e sorriu. A parte que você quer abraçar quem te faz falta, mas tem medo. A parte em que você quer escutar uma voz pra acalmar o coração e dormir. A parte que a luz do quarto se apaga e a memória acende. A parte que você escuta uma música e lembra do cheiro de alguém. A parte em que você deixou de ser razão e voltou a sonhar com o coração. A parte em que você tinha tudo pra ser a pior pessoa do mundo depois de uma decepção , mas foi gente o suficiente pra se amar e recomeçar de novo.

- Fernando Suhet

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