04 maio, 2011

Crônicas digitais: Retrato da gente



Ficha técnica:

Direção: Marinho Antunes
Texto: Fernanda Mello
Assistente de direção: Sérgio Oliveira
Assistente de produção: Karina Braga
Música: Roberta Campos e Fernanda Mello
Apoio: Estudio Pro
Apoio: M1 Station


Retrato da gente

Eu acho que não há nada que nos faça sentir tão bem quanto a família da gente. Por mais que haja complicações, maluquices e coisas do gênero. Nossa família nos lembra quem somos. Enxerga nossa essência. Nos conhece do avesso. Amigos também. Mas os poucos amigos que tenho fazem parte da minha família (então, é justo dizer que estão inseridos aqui, nesse texto e contexto).

Família, pra mim, tem a ver com o jeito que você pensa. O modo que você ama. A forma que você vê o mundo.

Hoje eu só queria deixar bem claro que família é pedaço importante meu e dizer que – se existem qualidades em mim – eu devo a eles. É. A gente segue o exemplo que vê em casa e se torna um reflexo do que vivenciamos quando crianças. A gente se espelha em nossos pais, tios e avós, seja no jeito de falar, de rir, de fazer careta. E – claro – no modo de encarar a vida.

Quer me conhecer? Passe uma tarde com meus pais – Seu Márcio e Dona Guilhermina – eu sou a mistura mais louca dos dois. É por eles que eu sou corajosa. É por eles que eu tenho um lado careta e outro nem tanto... Mas – o mais importante – é pela minha família que eu leio um livro por semana, sou apaixonada por música, poesia e por todo tipo de arte.
Olha pai, me desculpa, mas nascer em uma família como a nossa não iria me levar nunca a um concurso público. Enquanto você tocava teclado, mamãe pintava aqueles quadros malucos onde o cabelo da mulher se confundia com o céu e a terra e, bem... Como eu poderia vivenciar esse universo mágico de ter arte dentro de casa e não querer levá-lo pra minha vida toda?

É. De perto, nenhuma família é normal, graças a Deus! A minha não é. E a alegria (e os almoços) que existem lá dentro de casa eu nunca vi em lugar nenhum. Portanto, seja lá como for sua família, agradeça por ela diariamente, de todo o coração. Afinal, se estamos aqui e somos o que somos, é por causa dela.

Feliz dia das mães para todas as mães, presentes ou não. Na terra ou no céu. E pra todos os pais (que hoje revezam com as mães). Com vocês aprendemos o que é amor incondicional. Por vocês, nós somos.



                     
Obrigada a todos pelo carinho e pela força!
Sempre é tempo de se sentir grato. E agradecer.



OBS: Para comprar o livro ou entrar em contato comigo, e só enviar email para fernandamello2006@gmail.com. :)

Ah, quem quiser assistir as crônicas digitais na TV, só ficar ligado na M1 Station (http://www.m1station.com.br/)

15 abril, 2011

ESPERTINHOS FUTEBOL CLUBE

(porque esse é o time que mais cresce no mundo?)

Não há nada – definitivamente NADA – que me tire mais do sério quanto o “dar de bobo pra se dar bem”. Parece que o tal jeitinho brasileiro virou febre. Passar a perna sorrateiramente é a última moda. O NEW BLACK. A tendência mais forte para todas as estações. E o pior: é tudo tão escancarado que merece até prêmio. Onde está a boa (e velha educação), o caráter, aquelas coisas que aprendemos no berço?

Minha mãe sempre me disse que as pessoas colhem o que plantam. Que quem faz mal para os outros acaba se dando mal lá na frente. Pois bem, eu acredito nisso. Sempre acreditei. E me pergunto: aquele Sean Parker (que criou o Napster, enganou o menino do Facebook e agora é atual sócio da Warner) continua se dando bem mesmo depois de ter se mostrado um mau caráter? Sei bem o que Dona Guilhermina me diria uma hora dessas: você não sabe o que ele sente quando coloca a cabeça no travesseiro. É, realmente, eu não sei. Dinheiro e sucesso não são premissas para a felicidade. E, às vezes, pessoas são tão rasas que nem têm noção do estrago que causam.

Mas eu fico indignada como as pessoas conseguem ter êxito passando por cima das outras. Isso é antinatural, gente! No meu mundo, pessoas boas recebem coisas boas como prêmios. Em todas as áreas da vida. Eu vivo assim. E, sinceramente, meu mundo anda tão cheio de Sean Parkers (bem mais pobres e menos talentosos, obviamente) que eu fico com medo de me abrir. Vivo desconfiada e isso não é nada bom.

As pessoas perderam seus valores. O respeito pelo outro. E, mesmo com o pé atrás, eu me estrepo, dia após dia, com gente querendo tirar proveito da minha cabeleira loura. NÃO É UMA BELA BOSTA? É, turma. É uma porra de um mundo que eu não quero que meus futuros filhos vivam porque tem muita gente estragando tudo por aí. (Precisamos de mudanças já!). Claro que tem gente digna e de boa índole, mas eu deixo para falar deles em outro texto porque eu venho perdendo a fé no ser humano. Infelizmente.

Mas a boa notícia é que continuo ainda com fé no que eu penso (mesmo que pareça ingenuidade), e por isso venho escrever esse texto para tirar o nó da garganta e alertar aos que ainda sabem ouvir: o mundo precisa de mais gentileza. E menos – muito menos! - rasteiras.



P.S.: A minha informação sobre Parker foi baseada no filme “A rede social”. Fiquei impressionada com a ganância e furação-de-olho retratada nas telas (pensei que só acontecesse isso na vida real, rs). Ô Justin Timberlake, FRANCAMENTE, você trabalhou tão bem que se te encontrasse na rua seria INCAPAZ de te dar um sorriso. E pior: você (o Sean) inventou o Napster, imagina o quanto de direito autoral que já perdi por sua causa? Bom, é isso. Cada dia a gente pega um pra carregar nossa cruz e servir de inspiração para textos bizarros. NADA PESSOAL.


04 abril, 2011

Crônicas Digitais: Amar é Punk




Turma, esse é uma nova invenção minha e do Marinho Antunes. Chama-se Crônicas Digitais, um novo formato para trazer minhas frases e fases até vocês... Claro que continuarei escrevendo por aqui (está sendo um desafio falar, já que eu gosto MESMO é de escrever), então logo postarei o texto do vídeo para quem quiser ler na íntegra.

Aí vai a ficha técnica (gostaria de agradecer imensamente a todos que nos emprestaram seu tempo, equipamentos, estúdio e paciência, haja Smirnoff Ice pra eu me soltar diante das câmeras!!)

Direção/Fotografia/Edição: Marinho Antunes (para ver o site do Marinho Antunes, clique aqui)
Produtora: Estudio Pro
Produção: Eduardo Lopes
Câmera: Renato Silva (Tigrão)

Esse é um projeto totalmente independente, quem quiser ajudar, patrocinar, etc, é só mandar um email para fernandamello2006@gmail.com. Aceitamos de pequenas a grandes verbas, vale-refeição, drinks e qualquer boa vontade. A cara de pau (como sempre) é por conta da casa. Obrigada!

PS: Estou quase curada do meu medo das câmeras! Aguardem os próximos vídeos! Charlize Theron Feelings, hahahaha.

PS2: Vocês pediram tanto no twitter (tô amando os comentários, obrigada!), que voltei pra publicar o texto:


AMAR É PUNK


Eu já passei da idade de ter um tipo físico de homem ideal para eu me relacionar. Antes, só se fosse estranho (bem estranho). Tivesse um figurino perturbado. Gostasse de rock mais que tudo. Tivesse no mínimo um piercing (e uma tatuagem gigante). Soubesse tocar algum instrumento. E usasse All Star.

Uma coisa meio Dave Grohl.

Hoje em dia eu continuo insistindo no quesito All Star e rock´n roll, mas confesso que muita coisa mudou. É, pessoal, não tem jeito. Relacionamento a gente constrói. Dia após dia. Dosando paciência, silêncios e longas conversas. Engraçado que quando a gente pára de acreditar em “amor da vida”, um amor pra vida da gente aparece. Sem o glamour da alma gêmea. Sem as promessas de ser pra sempre. Sem borboletas no estômago. Sem noites de insônia. É uma coisa simples do tipo: você conhece o cara. Começa, aos poucos, a admirá-lo. A achá-lo FODA. E, quando vê, você tá fazendo coraçãozinho com a mão igual uma pangaré. (E escrevendo textos no blog para que ele entenda uma coisa: dessa vez, meu caro, é DIFERENTE).

Adeus expectativas irreais, adeus sonhos de adolescente. Ele vai esquecer todo mês o aniversário de namoro, mas vai se lembrar sempre que você gosta do seu pão-de-sal bem branco (e com muito queijo). Ele não vai fazer declarações românticas e jantares à luz de vela, mas vai saber que você está de TPM no primeiro “Oi”, te perdoando docemente de qualquer frase dita com mais rispidez.

Ah, gente, sei lá. Descobri que gosto mesmo é do tal amor. DA PAIXÃO, NÃO. Depois de anos escrevendo sobre querer alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. EU QUERO ALGUÉM QUE DIVIDA O CHÃO COMIGO. QUERO ALGUÉM QUE ME TRAGA FÔLEGO. Entenderam? Quero dormir abraçada sem susto. Quero acordar e ver que (aconteça o que acontecer), tudo vai estar em seu lugar. Sem ansiedades. Sem montanhas-russas.

Antes eu achava que, se não tivesse paixão, eu iria parar de escrever, minha inspiração iria acabar e meus futuros livros iriam pra seção B da auto-ajuda, com um monte de margaridinhas na capa. Mas, CARAMBA! Descobri que não é nada disso. Não existe nada mais contestador do que amar uma pessoa só. Amar é ser rebelde. É atravessar o escuro. É, no meu caso, mudar o conceito de tudo o que já pensei que pudesse ser amor. Não, antes era paixão. Antes era imaturidade. Antes era uma procura por mim mesma que não tinha acontecido.

Sei que já falei muito sobre amor, acho que é o grande tema da vida da gente. Mas amor não é só poesia e refrões. Amor é RECONSTRUÇÃO. É ritmo. Pausas. Desafinos. E desafios.

Demorei anos pra concordar com meu querido (e sempre citado) Cazuza: “eu quero um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida”.

Antes, ao ouvir essa música, eu sempre pensava (e não dizia): porra, que tédio!

Ah, Cazuza! Ele sempre soube. Paixão é para os fracos. Mas amar - ah, o amor! - AMAR É PUNK.

17 março, 2011

DAR VALOR DEPOIS QUE PERDE: UM DRAMA UNIVERSAL?

Se existe algo que eu não entendo é gente que só dá valor para as coisas depois que perde. Acontece com todo mundo. Uma vez ou outra. Até aí tudo bem. Não é preciso ter muita inteligência pra saber o quanto algumas coisas nos são caras. Mas não é que – de repente – a gente esquece? Vive achando que o passado era melhor, que a grama do vizinho é mais verde? Então, meu amigo, está na hora de rever seus conceitos. Essa coisa de “eu era feliz e não sabia” é coisa de gente fraca e não pega nada bem. A era do saudosismo já era, inventar um passado perfeito (pra aliviar o presente) não vai te fazer crescer. NUNCA.

Será que a gente precisa perder a casa, a saúde, o emprego (e o respeito) pra lhes dar os devidos valores? Será necessário que o amor se vá para ver o quanto ele era especial?

Sejamos sinceros: será que precisamos PERDER para, depois, aprendermos a VALORIZAR?

Ah, não. Eu estou cansada. Chega de ser a “mulher da vida” de um bando de bocomocos que só me deram valor depois que eu me mandei. Não é sempre assim? A gente aguenta o que pode, faz de tudo pra relação dar certo. Aí um belo dia acordamos de saco cheio e resolvemos dar no pé e pensar mais na gente. Nessa hora, o céu se abre, uma luz incide no meio da cabeça dos pobres moços e eles conseguem enxergar o quanto a gente era incrível. Incrível é pouco, na verdade. Eles vêem o quanto éramos mulheres de verdade, parceiras de qualquer crime, que aguentávamos todas as chatices e ainda fazíamos um carinho gostoso antes de dormir. Parece familiar? Pois é. Aí a gente muda de classe. De CHATA a gente vira A mulher. A santa. A deusa. A insubstituível.

Ô céus, e o pior é que isso acontece em todas as áreas da vida da gente. Lembra daquele emprego bizarro? Ai, que saudade (já que o de agora é muito pior!). Lembra da sua adolescência (ah, que tempo bom, arguição é a melhor coisa da vida!). Bom, como vocês podem ver, estou meio alterada hoje (o que, com a graça de Deus, me faz escrever 1500 caracteres por minuto) e, por isso, resolvi extravasar minha indignação diante de todas as criaturas (inclusive eu, vai saber) que cometem o deslize de achar que o passado é sempre melhor.

Se o passado foi bom, ÓTIMO! Guarde-o na memória e faça seu AGORA ainda melhor. Que tal? Difícil? Então vamos lá. (Quando eu fico nervosa eu viro um livro de auto-ajuda, me acudam!)

Regra número um: a gente tem memória seletiva e SÓ lembra das partes boas. Dos anos que foram coloridos. Das pessoas legais. Dica pra não cair nessa furada: seja realista e lembre-se de todos os defeitos alheios e todos os sentimentos ruins que você sentiu. Regra dois: pra mim, um cara (ou um trabalho ou um amigo) que não te dá o devido valor deve ser rebaixado. É, rebaixado mesmo. Então, se o cara resolveu te dar valor AGORA, ao invés de você agradecer e bater seus enormes cílios, se pergunte: um indivíduo que vive nesse estado de insatisfação constante vale a pena? Regra número três: essa é a mais difícil. Sinta-se agradecido. Verdadeiramente agradecido. Por tudo o que você tem HOJE. Por tudo o que você É. Seja honesto com seus sentimentos. Não se supervalorize. Nem tampouco se subestime. Seja forte. E bote pra quebrar (se vier a calhar).

No mais, é só viver com o coração ABERTO. Afinal, o mundo anda tão louco que quem não aproveitar o presente vai se arrepender amanhã. Essa é a minha única certeza.





Este texto foi inspirado na história de uma querida amiga (que falou que se eu citasse o nome dela no blog nunca mais ganharia sorvete de doce-de-leite) e vai para todos os ex-namorados que nos consideram a mulher da vida deles, depois de aprontarem por aí. Rapazes, nós não curtimos homem cagão. Portanto, valorizem a próxima. CRESÇAM. E nos esqueçam.

Foto: Marinho Antunes.

Obrigada pelos sortudos que nos dão o devido valor! A gente – fofa e feliz – retribui! \o/!


PS: Quem quiser comprar o livro Princesa de Rua, só mandar um email para fernandamello2006@gmail.com. VALOR: 35,00. Frete GRÁTIS para todo o Brasil. Promoção: 2 por 60,00 até o dia 31 de março. Pagamento: depósito ou transferência Banco do Brasil ou Santander. ;)

17 fevereiro, 2011

A MULHER E SUAS GORDURINHAS

Há dois tipo de mulheres no mundo: as que tem medo de engordar. E as que nos matam de inveja. Exagero meu? Pois bem. Se você é uma sortuda que nunca se preocupou com a balança (e ainda não tem celulite), então peço já que pare de ler este texto. (E nem fale mais com a gente, obrigada!).

Manter o peso ideal é, para as mulheres, algo como descobrir a cura de uma alguma doença grave ou até mesmo acabar com o efeito estufa no planeta. Difícil, quase impossível. Não, por favor. Não somos fúteis, não pensamos só em aparência. Lemos Rimbaud. Declamamos Bob Dylan. Conhecemos a vida dos pintores renascentistas. Meditamos 10 minutos por dia. Mas tomamos leite condensado na lata. Somos gulosas pela vida. E por tudo que leva chocolate. O que não queremos (pra ser bem sincera) é ver o efeito estufa instalado em nossos abdômens. Nem em nossos bumbuns.

Antes de começar a escrever esse texto, eu tinha como tema algo inteligente como “é preciso ter alma leve”, mas... querem saber? Eu estou de dieta. Pão integral, iogurte desnatado, aquela baboseira toda de grapefruit (onde já se viu alguém comer isso, gente?)

Vivo numa sociedade que tem uma padrão estético nas alturas, então, por favor. Me deixem querer ser leve por dentro e por fora, não quero fazer pose de “sou Cult, só uso preto, só escuto Velvet Underground e não ligo pra ter pança”. EU LIGO.

Óbvio que não sacrifico minha saúde para ficar bonita, mas me encontro, no presente momento, em Rehab pelo meu último vício adquirido: as infernais balas Dadinho. Alguém já colocou aquilo na boca? Pois então. NÃO COLOQUEM. O vício é certo, depois da 4ª vez, você sempre irá querer mais. E mais... E o dinheiro vai... A gordurinha vem. Até que um amigo seu das antigas (que passou um mês viajando) te encontra e pergunta: tá bonita, engordou um pouquinho? PRONTO. Acabou o mundo. O humor. Mesmo tendo um namorado que sempre acha que eu posso engordar um tiquinho (homem fala que tem que ter ONDE pegar, nunca entendi isso. Eu posso estar seca e ter um TANTO de lugar pra ele pegar, se é que vocês me entendem).

Antes que vocês me chamem de louca (por eu não sou gorda e etc e tal), eu vou informa-las: eu não ESTOU gorda. Mas posso vir a ficar se desandar a comer do jeito que eu gosto. Eu não tenho esse metabolismo acelerado que as modelos dizem ter (pra mim isso se chama mais “dedo na guela” que outra coisa). Se eu não estou gorda é porque eu só como bobagens nos finais de semana e malho feito uma condenada todos os dias. Só pra ter o prazer de devorar um pote inteiro de Haagen-Daz sem o menor peso da consciência. E jantar direito com meus amigos (que, por sinal, comem tão bem quanto eu).

Bom, o que eu quero dizer com tudo isso? Sinceramente, NADA PROFUNDO. Só quero desabafar e dizer que dieta é um saco, que queijo Cotagge é a pior coisa do mundo, que pós de proteína me dão ânsia de vômito e que um nutricionista que manda você colocar UMA rodela de tomate e orégano em cima de UM biscoito de água e sal como “lanche da tarde” deve ser mandado pro Umbral (aquele lugar medonho, do filme Nosso lar).

Em resumo, é isso. Eu admiro DE VERDADE quem se sente bem com qualquer peso, mas estou a léguas de ser tão bem-resolvida. Também não vou me rebelar contra os padrões, já que só comi 600 calorias até agora e estou com um sono danado.

Pra você, magra de ruim, que come tudo o que vê pela frente e não engorda... Pra Camila, que nasceu com aquele corpo incrível... E pra você, mulher cheinha e bem-resolvida, que come até falar chega, engorda e ainda se sente SUPER BEM, eu só tenho uma coisa pra dizer: EU MORRO DE INVEJA DE VOCÊS.

Bitches!

Obrigada pela atenção.



PS: Esse texto me deixou tão relaxada que resolvi comemorar com 5 maravilhosos canudinhos de doce-de-leite. FODA-SE!


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24 janeiro, 2011

MOMENTOS IMPROVÁVEIS

“O que é seu encontrará um caminho pra chegar até você” (ditado chinês)

Sabe quando você precisa fazer algo diferente na vida? Pois bem. Dessa vez eu não cortei o cabelo. Não fui acampar. Nem me matriculei numa aula de Pole Dance. A única coisa que fiz fora do meu normal foi... Bem... Estão preparados? Eu saí de casa sábado à noite. CHOCADOS? É, eu entendo. Para a maioria das pessoas, se aventurar em baladas é como... Respirar! Uma necessidade básica.

Para mim, canceriana e apreciadora de filmes, vinhos e demais aconchegos, essa tarefa nunca me pareceu tão fácil. Sempre preferi o dia. Acho ficar em casa o melhor programa do planeta. E só costumo sair de casa à noite para comer, ver um showzinho ou bebericar na casa de amigos. Não sei quando comecei a virar eremita, mas definitivamente as boates e casas de show lotadas não me inspiram. Bom, não me inspiravam. Até então.

Eis que – em pleno dia chuvoso - resolvo reverter minha ordem. E dormir na hora do sol nascer. É, foi mais ou menos assim. Saí de casa com a cara, a coragem. E minha fiel amiga a tiracolo (sem a qual, obviamente, nada disso teria sentido). O que encontrei? Ah, pra começar, lugares abarrotados. Porteiros pedindo identidade (na minha fantasia eles sempre acham que sou menor de idade). E gente exalando a cigarro (apesar de toda proibição). Até aí, nada diferente, CERTO? Bom, errado. Do meio da música, ele apareceu. ELE, que eu nunca vi. ELE, que eu nem sabia quem era. Me olhou meio de lado, daquele jeito que finge que não está olhando. E ficou. Com um ar absolutamente lindo. Como um clipe. Eu sei, eu sei. Sempre acho que o rock´n roll é culpado de tudo. Mas dessa vez, TALVEZ, não. Sabe quando você precisa acreditar que existem pessoas interessantes no mundo? Que alguém vai te olhar de um jeito único e você vai voltar a sonhar de novo? Foi mais ou menos assim. (E ele ainda usava All Star, meu Deus! Um All Star limpo mas judiado, exatamente igual ao meu coração...)

Aí ele começou a falar... E eu, simplesmente, me calei. PAUSA NO MUNDO. Ele sabia tudo sobre cinema (TUDO, absolutamente tudo), entendia muito de música, geografia e ainda me deu uma aula sobre a guerra dos Emboabas. Alguém pode acreditar num ser desse? Não, gente. Pode ser bonito, pode ser charmoso, mas homem inteligente é o que me mata. Inteligente e charmoso (diga-se de passagem). E pra completar: ele sabia quem era Patti Smith (é, a minha Patti Smith!), a música que ele mais gostava era “Something” dos Beatles e ele estava lendo aquele livro gigante do José Saramargo que eu tenho sono só de pensar...

O que aconteceu nesse encontro? Bom, isso vai ficar entre nós. Ou melhor: entre eu e ele, se vocês me permitem. Porque, no meu inocente entender, às vezes a gente deve preservar momentos mágicos. Para que eles não sumam. Nem se transformem para sempre. Só sei que... Bem... Agora eu acredito em sorrisos de novo.

(E em noites de sábado – e All Stars detonados - também).

ps: Esse texto é para o meu namorado. É gente. Depois daquele sorriso sem graça e daquele All Star (que agora vive largado na minha sala), FODEU.



17 novembro, 2010



NA DÚVIDA, DESCOMPLIQUE...


“In every life we have some trouble,
When you worry you make it double
Don't worry, be happy”...




Queridos, trago boas novas. Para ser feliz agora não é preciso ter rios de dinheiro. Um amor de cinema. Um corpo de Sabrina Sato. Nem um rosto de parar o trânsito. Para ser feliz, não é preciso nem ter uma carreira brilhante. Um carro zero. Uma família de comercial de margarina. Nem – tampouco – é preciso ser sensacional. É claro que tudo isso ajuda (se presente). Mas garantia, garantia mesmo de felicidade, nada disso dá. Então, por favor, GRIFEM. E DECOREM. Felicidade a gente SÓ encontra dentro da gente. Enlouqueci? Não. Pelo menos, eu acho que não. Acabei de voltar de Itacaré e vou dizer o que vi por lá. Pra começar, gente simples que sorri mais (muito mais!) que aqui – na dita cidade grande. Pessoas gentis, com pés descalços, vendendo artesanato na areia quente, com a alma mais leve e fresca do que eu jamais ousei imaginar. Sério, pessoal. Há muito tempo não via tanta simplicidade (e alegria!) juntos. Eu sei que o cenário ajuda. (Lá é um dos lugares mais lindos que já vi). Mas depois que viajamos (acho viajar o exercício de autoconhecimento mais incrível que existe), nosso ponto de referência se altera. Muda e, dependendo de como você embarcar na viagem, MUDA MUITO. É aí que o bicho pega e a gente começa a se questionar sem parar: ENTÃO, É ISSO MESMO?

Entendam uma coisa. Não estou dizendo para a gente largar emprego, abandonar família, parar de malhar, comer só Nutella ou virar hippie... Nada disso. A palavra de ordem é EQUILÍBRIO. E a receita (se é que existe) é uma só: fazer as pazes com você mesmo, se aceitar, diminuir as expectativas e entender que felicidade não é TER. É SER. E no meu caso, é SER como o Ademir, o Cosme, o Seu Lauro... Pessoas de uma simplicidade encantadora que conheci por lá e que me deram uma lição pra eu nunca mais esquecer: “SEJA, minha amiga, mas SEJA NA PAZ”. Sem expectativas irreais. Sem pressões absurdas sobre si mesmo. Sem pirações desnecessárias.

Papo de riponga? Pode até ser. É a sabedoria das pessoas simples. (Deliciosamente simples!). O saber de quem nunca estudou e – ainda assim – tem um conhecimento para deixar muito intelectual de queixo caído. DUVIDAM? Então deixa eu contar uma coisa. Depois de conversar com essa gente, fica impossível não questionar a falta de tranqüilidade, de simplicidade e de gentileza que controla o resto do mundo. Quando colocamos os pés num lugar assim (no caso, em Itacaré), a gente redescobre o que estava perdido e pensa: que vida é essa que estou levando? E as dúvidas surgem. A insatisfação dá as caras. E passamos a repensar tudo o que está em jogo. As conclusões? Ah, são muitas... E, quer saber? Não são fáceis, porque a gente vive num mundo onde a mídia e a sociedade nos influenciam muito. Mas, mesmo assim, devo deixar registrado. Não vale a pena ter uma conta bancária recheada se o dinheiro só te trouxer estresse. Não vale ter um amor ao seu lado se só te trouxer descontentamento. Não vale ter um corpo sarado se não puder cair de boca num bobó de camarão. Não vale ter amigos divertidos que não se interessam pelo que você sente. Não vale (definitivamente não vale), ter um emprego que NUNCA te deixa dormir.

É turma, felicidade tem muito mais a ver com estar em paz do que a gente pensa. E nunca vamos nos sentir bem em nossa própria pele se a cabeça tiver cheia de neuroses e demais ansiedades. Difícil? Ah, Deus, bota difícil nisso! Por isso, volto com as malas cheias de arte, rabiscos e ideias. De quebra, trago também a simplicidade e a tranquilidade baiana. Mesmo agora, em plena cidade grande, na frente do meu antigo computador, posso pegar emprestado o estilo de vida do Seu Lauro. A inteligência simples do Ademir. O sorriso fácil do Cosme. E, bem... Tentar adaptá-los para mim. É fato que a vida nem sempre é um mar de rosas. Mas “Veja bem, galega, preocupação não deixa ninguém saUdio. De mais a mais, depois que a gente morre, a gente leva da vida o quê?”. Eu me atrevi a dizer: Seriam lembranças, Seu Lauro? E ele sorriu satisfeito. “É galega, NADA mais que lembranças.”

Eu e Seu Lauro num passeio cheio de "causos".

Arte do Ademir
Cosme










Todo esse texto me trouxe a seguinte questão: O que eu vou levar daqui?

Trânsito caótico, cara-feia, mau-humor, ansiedade, estresse diário, regras espartanas e uma mala de birutices...?

Ou um sorrir fácil de quem entendeu que a vida é simples demais pra se complicar?



Alternando entre um e outro, vamos tentando... Exercitando a arte de ser leve. Tirando o peso das costas. E, vez por outra, colecionando boas lembranças.

NÃO É ISSO, SEU LAURO?


Seu Lauro

 Fotos: Marinho Antunes

10 novembro, 2010

Tanto na terra, quanto no céu...

Para quem vive com a cabeça nas estrelas, não há desafio maior que manter os pés no chão. É a eterna luta em saber conciliar nossos opostos. Equilibrar o concreto e o abstrato. Saber o que é sonho possível. E o que é puro devaneio. Difícil? Devo dizer que bastante.

Nessas horas, ganha mais quem é sensato. Quem pondera. Quem pesa os prós e contras. E - devo acrescentar - quem acredita em si mesmo.

Mas realidade sem sonho não tem graça. Não tem vida. Não tem cor. Concordam? O inverso também vale. Sonhos são melhores quando se tem uma certa realidade imbutida. Aquela coisa de saber que é difícil, mas não impossível. É aí que mora o bom senso (primo-irmão do equilíbrio e autor de tantos feitos por aí).

Com sonhos a tiracolo e o bom senso nas mãos, mágicas – vira-e-mexe -acontecem. Palavras viram livros, rabiscos viram canções. Simples idéias se transformam em tudo o que a gente sempre quis. (Quer coisa melhor?). São nesses momentos que vida se mostra cheia de luz. De graça. E de significado. Tudo passa a valer a pena, apesar de todos os tropeços do caminho...

Bom, por que entrei nesse assunto? Porque sou uma das pessoas mais sonhadoras que eu conheço. Talvez não tenha virado escritora por acaso, vai saber... Sonhos são molas que nos impulsionam. São minha inspiração e força. São a minha fé. Ao meu ver, quem não sonha (nem que seja um pouco, quando ninguém está olhando), nunca se sente vivo de verdade.

Mas como tudo tem dois lados, é bom ficar de olhos abertos. Ou melhor: com os pés bem fincados no chão. Viver só de sonhos não basta. Quem se alimenta apenas de ilusão, perde a realidade da vida e se esconde em um mundo paralelo. Complicado, não? Também acho. Haja discernimento para viajar, se aventurar nas estrelas e saber a hora certa de voltar!

Por isso (como boa canceriana que sou), continuo com a cabeça na lua. O pensamento nas nuvens. E, por via das dúvidas, me belisco sempre para aterrissar. Afinal, quem disse que não podemos trazer pra terra o que criamos em nosso céu?





Crédito pelas fotos: Marinho Antunes
Local: Itacaré / BA

Ps: Descobri, com esta última viagem a Itacaré, que a realidade pode ser bem melhor que a imaginação. Um brinde, portanto, à minha escassa criatividade diante da beleza que é a vida! \o/!

Até semana que vem escreverei sobre a viagem. Aguarrrrrdem!

Ah, já ia esquecendo... Quem quiser aproveitar as promoções do livro no twitter, o endereço é www.twitter.com/fernandacmello Ou então, mandem um email para fernandamello2006@gmail.com que eu passo as coordenadas. O livro vai autografado e custa 35,00, depósito ou transferência pra minha conta corrente, FRETE GRÁTIS. 2 livros por 60,00 mais frete grátis. Beijos e inté!

25 outubro, 2010

Dia 27/10, Princesa de Rua na Chicletes com Guaraná!!!


Nesta quarta, dia 27 de outubro, a partir das 19 horas, vou estar na Chicletes com Guaraná autografando o meu livro “Princesa de Rua”. Espero todo mundo lá!! Além do livro, vai ter um som bacana e arte com o nosso querido tatuador Bozó.  A programação faz parte do projeto de lançamento da Fun Soluções Criativas.


Rua Alvarenga Peixoto, 388 – Lourdes. Belo Horizonte. Tel. (31) 2512 6252

14 setembro, 2010

A FAVOR DE GENTE NÃO TRANSPARENTE

(ou melhor dizendo: que tal reaprendermos a arte de calar?)

Uma coisa que me incomoda hoje em dia é o excesso de sinceridade das pessoas. É um tal de jogar verdades na cara, de falar o que se pensa sem ser questionado... Deus me livre! E o mais agravante: as palavras são ditas sem que ninguém se dê ao trabalho de se colocar no lugar do outro. (Ei, eu precisava ouvir isso agora?). Não importa. A necessidade de DIZER calou o bom senso.

Penso sobre isso e me pergunto: onde está a gentileza e a boa educação? Para quê tanta falta de noção (consigo mesmo e com os outros)? Será que a tecnologia, com seus blogs, twitters e tudo mais, nos deixaram livres demais e esquecemos nossos filtros internos na vida real? Será que nos tornamos tão individualistas que perdemos o fio da meada? Isso me deixa confusa, confesso. Nossas pequenas necessidades não deveriam ser mais importantes que o outro. Morro de medo de me perder nisso e me questiono diariamente: será que estou me tornando uma pessoa para a qual eu escreveria esse texto?

É, turma. Ser gentil nos dias de hoje se tornou um exercício. Saber a hora certa de falar (ou de calar) também. Está a fim de dizer abobrinhas? Vai pra terapia, tem gente (boa) especializada nisso. Está a fim de descarregar suas frustrações? Vai pra uma aula de boxe, dá uma corrida, abraça uma árvore... Mas, por favor, não diga em nome da pobre-coitada da sinceridade, verdades que só irão piorar o seu dia (ou o do outro).

Será que antigamente era assim? Nossas avós e bisavós diziam tudo o que pensavam e ainda se orgulhavam disso? Pelo que eu me lembre, não. Mas posso estar enganada. As mulheres da minha família têm muito jogo de cintura e sempre souberam a hora certa de NÃO dizer. Porque – vamos combinar! - o que não dizemos, às vezes, é muito mais importante do que aquilo que foi dito. Será que ninguém se lembra daquelas conversas que, quando crianças, tínhamos com os adultos e eles nos ensinavam que, se não temos nada de bom a acrescentar, deveríamos ficar quietas? Escrevo isso e me lembro daquela famosa frase que sempre surge nos horóscopos e conselhos dos mais sábios: “a palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro”.

Então tá. Se fosse fácil, não estaríamos vivendo essa crise de sinceridade mundial. Existe uma linha tênue aí. Nós adoramos falar e mostrar nossas opiniões. Expressar-se é uma das melhores coisas do mundo (e estou aqui – escrevendo - para provar). Mas quando isso prejudica (ou magoa) o outro, então é melhor pensar duas vezes, concordam? “A verdade salva!”, alguém, gritou! Sim, em alguns casos, salva. Mas, em outros, pode dar uma confusão danada. Ou gerar sentimentos que poderiam ficar fora do roteiro.

Quer exemplos simples pra ilustrar? Uma amiga está fazendo dieta a duras penas e ouviu, da professora de inglês, que parece estar mais gorda do que há um mês atrás. PRECISAVA? Mais: um rapaz saiu, após seu divórcio, com minha vizinha, e falou durante todo o primeiro encontro sobre como a ex-esposa era maluca e como atiravam objetos um no outro. SENSATO? Uma outra conhecida (que também acha que as pessoas cometem sincericídio nos primeiros encontros) saiu com um paquera incrível e disse, antes do garçom chegar, que faltou à depilação só pra não correr o risco de ceder aos encantos do moço e deixar que ele a levasse pra cama (coisa que nunca aconteceu). E a lista não para nunca: o namorado de uma prima contou que já teve um affair (antes do casal se conhecer) com uma amiga do trabalho. NECESSÁRIO? Não. Ainda mais que a mulher é o uó do penacho preto, ainda trabalha no local e minha prima agora fica se questionando sobre o mau-gosto do rapaz. (Além de fantasiar que a ex vai chegar de cinta-liga tamanho extra-extra-extra-large para trabalhar).

Pergunto a vocês: nesses casos, o que salva? A verdade ou o silêncio?

Aí vem algum boçal e me diz: a verdade dói, meu bem. Eu concordo. A verdade dói SIM e, por isso mesmo, deve ser dita com muito jeito. Entende? Eu não compreendo que moda é essa de dizer tudo o que se passa pela cabeça. Cadê o filtro, gente? Pra que tanta verdade? Ou melhor: por que essa necessidade de ser tão transparente? É alguma culpa católica? As pessoas, em nome da verdade, vão ser absolvidas por serem más ou egoístas? Por magoarem o outro? Eu vou falar uma coisa que eu guardo a sete-chaves: eu sempre desconfio de gente que se diz transparente. Dá pra confiar em alguém assim? Pra começar, quem se diz transparente, mente. Todo mundo tem seus sagrados. Seus segredos. Seus mistérios. E é bom que eles sejam preservados. Por isso, preserve-se. Preserve-os. E saiba a hora certa de se calar porque – convenhamos –a gente tem dois ouvidos e uma só boca não é à toa.




Ps: Beijos para todos e obrigada pelas mensagens fofas aqui e no twitter! ;)

07 julho, 2010

Qual é a idade pra ser feliz?

Ninguém se conhece direito até passar dos 30. Tem gente que não se conhece mesmo beirando os 70, mas aí é outra história. Antes dos 30, somos apenas um sonho. Um desejo com várias direções. E muita esperança a tiracolo. Até os 30, estamos definindo o que queremos. O que gostamos. O que vamos ser. Não há limites para os planos. Para o número de namorados. Nem para a quantidade de erros.

Depois dos 30, continuamos errando. Continuamos não sabendo. Continuamos esperando. Mas, pelo menos, temos uma breve idéia de onde queremos chegar. Não é fácil, eu admito. Existe uma pressão no mundo para que você se torne só uma coisa: GENTE GRANDE. Aí, meu querido, começa a batalha... Você TEM que ter um diploma, uma carreira, um namorado, um casamento, um filho, um cachorro. (Mesmo que não seja a lista dos sonhos de sua vida). Você tem que cortar o cabelo, tirar o piercing, encompridar a saia, comprar um biquíni maior, aposentar suas calças rasgadas e blusas de banda. (Apesar de achar seu novo “eu” um tanto quanto demodê).

Aonde isso vai parar? Já conto. Um dia, quando menos se espera, você se enxerga... um chato! Percebe que confundiu responsabilidade com falta de espontaneidade. E encontra sua criança interior puta da vida, num castigo que você mesma criou. ESTOU ERRADA? Pode ser. É preciso muito equilíbrio para saber a hora de não se levar tão a sério. Mas, criança grande que sou, ainda acho que os 30 são a melhor coisa do mundo. Que se danem as contas, as rugas e demais amolações. As paranóias dos 20 (finalmente!) acabaram. Agora você é um ser sublime e sem espinhas. E – digam o que quiserem! – você nunca mais vai morrer de amor. INVENÇÃO MINHA? Não, acho que não. Depois dos 30, a gente sofre com mais dignidade. A gente sabe que toda dor passa. E entende que – tirando a morte e a lei da gravidade – tudo tem conserto.

Se eu gostaria de voltar no tempo? Ah, acho que não... Ninguém, em sã consciência, tem saudade de usar aquela sunga ridícula do uniforme de educação física do Dom Silvério. Ninguém sente falta de ser insegura. Ninguém gosta de pedir permissão aos pais pra sair. Ninguém tem saudades da aflição de ser virgem e pensar depois da “primeira vez”: então é SÓ isso? Não, gente, tem coisas na vida que melhoram incrivelmente com a idade. E estou escrevendo esse texto porque vejo muita gente apavorada em ficar mais velha. Mulheres com crise existencial porque fizeram 30. Caramba, meninas! É, eu sei, eu sei, eu sei. Vivemos numa cultura que almeja o belo. E o novo. Eu me preocupo com tudo isso também, mas acho que não devemos esquecer uma coisa: renovar quem somos por dentro. Pode parecer clichê, mas é verdade. Chega de nos preocuparmos tanto com botox, preenchimento, lifting, pilates e anti-rugas. Chega de chorar pelos cantos porque você acha que passou da idade de começar de novo. Chega de tanto drama porque você ainda não encontrou o amor da sua vida. Ou mais realisticamente dizendo: um cara bacana com quem você possa viver seus dias. Amor não tem idade. Beleza também não. Pra cada um, a vida dá um tempo. Não é porque a sociedade nos manda um roteiro pronto (com prazo estabelecido), que iremos seguir tudo à risca. (Afinal, é isso que você quer?).

Ah, vou contar uma coisa... Depois de muitos aniversários, descobri que ganhei muito mais do que perdi. Com o passar dos anos, fiquei mais corajosa. Mais segura. Mais esperta. Mais sábia. Mais seletiva. E mais feliz. Perdi minhas vergonhas. Minhas inseguranças (não todas, mas muitas delas). E perdi também o medo de dizer o que penso. E o que eu penso? Ah, pessoal, a mulherada anda boba demais! Vamos parar de nos importar tanto com faixa etária e cabelos brancos. Vamos esquecer das equações que nos ensinaram pra ter uma vida perfeita. Vamos parar de dizer o tal “tô passando da idade”. Vamos nos conhecer mais. Preencher nossos vazios. Paralisar nossos medos. E nos livrar de todos os sinais que não nos fazem bem. Meninas, a plástica aqui é interna. Se está ruim, conserte. Comece tudo de novo. Aproveite que você já sabe o que (externamente) lhe cai bem. E mude. POR DENTRO. Afinal, com que cara você quer chegar aos 40?


Parabéns pra todos que honram suas primaveras.
Que tenhamos – sempre! - um ano novo dentro de nós!




Ps: Ao escrever esse texto, fiquei infernizando minhas amigas pelo skype, perguntando o que elas achavam sobre o assunto. Eis um diálogo que surgiu (só pra rir um pouco):

“- A gente tem que parar de se preocupar com esse lance de envelhecer e curtir o tanto que ficamos bacanas com o passar dos anos...
- Bacana? EU NÃO QUERO SER BACANA. Ninguém quer ficar bacana. Mulheres querem ficar bonitas, sexies... Eu quero ser bonita, sensual, inteligente, RICAAAAAAAAA.
- Ah, não... Pára com isso...
- Para você, tá louca? Já tem muita gente bacana no mundo...
- Han? Não tem, não...
- Ah, tem sim! E você nem é bacana desse tanto... Se eu fosse você, focava só no bonita.”

(kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk)

19 maio, 2010



Queridos leitores,

Vou participar pela primeira vez de uma Bienal.  Estou feliz da vida, apesar de saber que meu negócio não é FALAR. E, sim, ESCREVER.

(Será que vou tropeçar nas minhas próprias palavras?)

Para quem quiser conferir, dia 23 de maio, domingo, às 14 horas, irei ler pequenas crônicas e poesias na Arena Jovem da Bienal do Livro em Minas.




Estão todos convidados! ♥

(Me desejem sorte!)

Maiores informações no site: http://www.bienaldolivrominas.com.br/
PS: Quem quiser sugerir algum texto ou poesia do livro pra eu ler, só deixar recado!

08 abril, 2010

MEL

Mel é por toda parte. Todos os pontos cardeais.
Os famosos Norte, Sul, Leste, Oeste. E os esquecidos Nordeste, Noroeste, Sudoeste e Sudeste.
Mel é em todas as direções.
Conheça Mel há muito tempo, mas nunca da maneira que a conheço agora.
Mel é antena. De tudo sabe, de tudo dá notícia.
Tem uma memória invejável e lembra com detalhes frases ditas há anos.
É clássica e ao mesmo tempo moderna. O begezinho em sua nova versão rock e tatuagem.
Queria ser independente, virou advogada. Queria se renovar, virou Gloss.
Queria ser luz, virou luz. E reflexo. Projeção.
Ao mesmo tempo foco e ponto de referência.
Ela e eu temos pontos em comum. Ambas extremamente ansiosas, sonhadoras, sinceras e com uma certa crueldade adormecida. Trocaríamos todas as dores de cabeça do mundo por uma bebedeira culta. Ou por um bom show de rock. Somos assim. Também como água e vinho.
Ela esconde tristeza e eu faço música com o sofrimento.
Mas somos inseparáveis.
Mel é delicadeza e jogo de cintura.
Mas não mexam com ela.
Ela é uma alternativa levemente radical às boas moças da sociedade.
Tem aquele bom humor que desarma e uma vontade inesgotável de engolir o mundo.
Já briguei com ela uma vez aos 12 anos: um Biss roubado é sempre um Biss roubado. Mas somos praticantes do bom-mocismo, mesmo estando entediadas com tudo isso.
Estamos aprendendo a dizer Não.
Muito disso ela me ensinou.
Vive dizendo que sou impossível e tenho coração mole. EU?
O que importa é que Mel é www. É portal do conteúdo. Como o outro diria: uma mulher do futuro. Sem direito a bumbum eletrônico e peitinho de silicone. (Alguém confere?)
Tudo em sua mente está em constante movimento.
Mel é alta velocidade de conexão.
Cheia de vontades, padrões e romantismos camuflados por ela mesma.
Quem conhece esse docinho, logo se encanta.
E eu, mais do que ninguém, sei como eu gosto dela. E acho engraçado seu jeito de dizer que não está nem aí para alguma coisa, achando que vai me convencer.
Na verdade, Mel é uma das pessoas mais divertidas que conheço. É meu livro de auto-ajuda. Meu convite para me lembrar quem eu sou, sem personagens e meias palavras.
Fiquei imaginando o que Mel seria se não fosse Melissa. (Adoro pensar essas coisas...)
Imaginei Mel como cantora, aeromoça de vôo internacional, integrante de reality show...
Imaginei Mel sendo cafona. (...) Tentava focar mentalmente ela vestida naqueles shortinhos de Piu-Piu e camisolões com tucanos e araras, sentada numa cadeira de plástico velha, emoldurada por um pôster da seleção brasileira de 90, com Lazaroni em destaque. Impossível imaginar tal cena...
Impossível imaginar Mel sem ser Melissa.
Ela é o que é.
E mesmo que não fosse Melissa, continuaria sendo linda, moderna, um arraso.
Mas para quê inverter o perfeito, subverter o que já é ideal?
Daí esse texto. Melzinha como ela é.
Essa Mel múltipla, indesfigurável, íntegra.
Doce ironia: Melissa é tantas, em tantas formas e lugares, com tantas idéias e tantos talentos e tantas vontades, que ela é uma só.
Indivisível. Isso por mais que a ciência evolua.
Duvido que alguém invente uma forma de fragmentar Mel. (Embora alguns integrantes do sexo masculino já tenham se aventurado...)
Desmaterializá-la é impensável. Seja porque simplesmente não produzirá efeito (algo como " aborted mission") ou porque cada partícula jamais encontrará seu lugar exato, seu equilíbrio perfeito, sua composição correta, seus paradoxos, idiossincrasias, contrastes, choques elétricos de brilhos e contradições. Enfim, nunca se recomporá igual ao que era quando chegar do outro lado.

O que tentei dizer é que Mels não se fazem todos os dias.



(E é por isso que te admiro, te amo e te agradeço por ser minha amiga há mais de 20 anos. Nada teria tanta graça sem você.)



Beijos para Mariana Conrado, que também faz aniversário hoje! PARABÉNS, LINDA! Fê:licidades sempre!